quarta-feira, 11 de agosto de 2010

A CEGUEIRA DE ISRAEL E A CEGUEIRA DA IGREJA

A CEGUEIRA DE ISRAEL E A CEGUEIRA DA IGREJA



Israel como um todo,não viu que algo de novo estava acontecendo na história da Aliança entre D'us e Israel.A razão essencial para isso é que a igreja também não o vê.Israel não conheceu a história de Jesus de Nazaré,e a da comunidade que se formou em nome deste,como acontecimentos dentro da sua própria história. E a igreja não tem visto que a Nova Aliança de Yeshua e da igreja é parte do permanente,da vida e da Aliança de Israel,e que sua própria vida devia existir cooperativamente ao lado de Israel;ou seja,Israel não consegue ver a Nova Aliança,a igreja não vê que esta aliança é eterna entre D'us e seu povo Israel..Ambos estão cegos perante a realidade do Messias(Cristo).

No que se refere à cegueira ,havia exceções.Maimônides via as horriveis faltas da igreja;mesmo assim,cria que esta teria uma tarefa a respeito do fim da Aliança.Judah Halevi e o rabi Jakob Emden o viam também(carta ao conselho judaico na Polônia,cerca de 1750).Franz Rosenzweig sobressai de todos que os judeus reconheciam um caminho messiânico.escreveu pormenorizadamente sobre isso,já meio século antes de que qualquer pensador messiânico falou positivamente sobre o relacionamento cristão-judaico(no seu livro Der Stern der Erlosung-A Estrela da Salvaçã0.Via o povo judaico e a igreja como comunidades que se apoiam mutuamente no serviço de UM D'US.Logo,devemos perguntar porquê a igreja chega a falar tanto da cegueira de Israel e tão pouco da sua própria cegueira?

A igreja chegou a ser antolhos de Israel.O seu comportamento era tão terrível que Israel nunca tinha uma chance de considerar o novo Pacto que apareceu com Yeshua Hamashich(Jesus Cristo),pois o novo pacto estava sendo apresentado numa maneira que o fez com que a sua mensagem fosse distorcida e espantasse Israel e perigosa para a contínua substência da Aliança.A igreja,no decorrer dos séculos,não preocupou em passar a mensagem das boas novas de forma que os judeus entendessem e reconhecessem um momento de mudança na história da Aliança de D"us.

Aproximadamente a partir da destruição de Jerusalém no ano de 70,a igreja começou a obscurecer a vista em relação a israel.Os rabinos interpretavam o acontecimento,em consonância com a Aliança,como punição pelo pecado de Israel.Por isso,apontavam para a renovação da Aliança.A igreja,ao contrário,interpretava a destruição como sinal para o fim da Aliança e colocou a si mesma como O NOVO ISRAEL no lugar do povo da Aliança.A igreja confiscou as Escrituras de Israel como as dela própria e as declarou para ser "VELHO TESTAMENTO".Ela asseverou ser ela mesma uma "santa nação e um real sacerdócio"(1 Pedro 2:9) e,já muito logo,começou a apresentar-se como o "verdadeiro Israel"(Justino MArtir,diálogo,123 e 135).Ela começou a encaixar o antijudaísmo na sua teologia(Tertuliano) e,com isso,tomou um rumo hostil aos judeus,rumo esse que entrou até para dentro do século vinte.E tudo isso em nome da novidade de D'us em Jesus Cristo.Por isso,está inteiramente compreensível que o povo judeu não podia ver nada de novo.

A igreja apresentava-se a si mesma como nova religião,ignorando com isso o juízo das Sagradas Escrituras sobre todas as religiões,novas ou velhas.Ela se apresentava numa maneira que para os olhos e ouvidos de Israel era extremamente estranha.Nem judaica,nem pagã,mas sim como "terceiro gênero". Se Cristo ,porém,for arrancado do contexto do relacionamento da Aliança com seu povo,perde qualquer importância.O espantoso não é que os judeus ficaram cegos perante essa monstrosa idéia de inversão de papeis,mas sim porque a igreja tem sobrevivido com ela.

O parágrafo 4 da declaração católica do concílio Vaticano ll Nostra Aetate(outubro de 1965)está devidamente sendo considerado como o primeiro passo desde o século primeiro para modificar positivamente a doutrina eclesial sobre judeus e judaísmo.Mesmo assim,não foi senão um passo fraco,ao qual,de fato,seguiram uma série de mais ou menos corajosas declaraçãoes de conferências Episcopais católicos.Nostra Aetate mesma,não menciona o esquecimento de Israel dos dezenove séculos passados,também não fala nada sobre a imensa culpa da igreja,culpa essa que consiste na calúnia,perseguição,expulsão e cruel assassino de muitos judeus no decorrer dos séculos.Nostra Aetate,embora condene a anti-semitismo,não diz nehuma palavra sobre o fato de que era a própria igreja que tem injetado o veneno de desprezar os judeus em todo o mundo ocidental.O documento tem em si o fim de servir à própria igreja,representando consideravelmente auto-justificação eclesial,o que é típico de declarações eclesiais.Com isso,descreve fielmente a arrogância não mais sobrepujável,a qual é caraterística para o relacionamento da igreja para com Israel.Mesmo assim,Nostra Aetate foi um primeiro passo,e este veio do lado católico.Muitas igrejas protestantes têm,pouco antes ou desde então,examinado o seu relacionamento para com o judaísmo,e mais que uma declaração eclesial cuidadosamente elaborada tem falado de profunda culpa secular referente aos judeus,de conversão e do pedido por perdão divino.

Também não poucos judeus proeminentes têm começado a ver a igreja numa luz mais positiva.Se israel como um todo uma vez vai ver a novidade de Cristo dentro da Aliança permanente,depende muito do comportamento da teologia da igreja.

A igreja gosta de falar muito de unidade,mas mesmo assim ela entende frequentemente com isso uniformidade e conformismo.Isso está claro até na sua história mais recente.Fica,portanto,em aberto se Israel vai-se meter numa colaboração estreita com a igreja;Paulo deixa esta questão com D'us(Rm 11:33-35 pode ser a sua resposta aos versiculos 28-32)



VIVER COM VISÕES DIFERENTES.



Enquanto Israel recusa a igreja e a fé em Jesus Cristo,o povo judeu oferece à igreja um testemunho.O primeiro ,é isso um testemunho negativo sobre a novidade de Cristo.A igreja poderia perceber nessa recusa que tem arrancado o Cristo da conexão da Aliança.este testemunho de Israel para com a igreja é ao mesmo tempo também positivo,considerando a continuação da conexão da Aliança,no qual Jesus Cristo se encontra.Os judeus lembram a igreja de que Yeshua(Jesus( era um judeu,um israelita,fiel à Aliança e não conhecível senão nesse conexo.Através de sua existência apenas,o povo judeu ajuda a igreja na cristologia dela.

Nesta perspectiva ,a igreja e Israel repartem importantes aspectos e um fim comum:o domínio de D'us na terra em paz e justiça.Mas não tem visão comum,nem do fim nem do caminho que conduz até lá.O fim de Israel tem o seu centro na restauração de Israel,enquanto a igreja visa a figura de Jesus cristo.A igreja e Israel precisam viver em atenção mútua,não só coexistir.No colóquio com os judeus,porém,a igreja tem de se cuidar para não fazer a sua cristologia agradável aos judeus.Ela não pode dizer a verdade sobre Jesus senão conforme esta chega a ser sabido por ela,conforme o que já está escrito nas Escrituras.Quando judeus no seu falar sobre ele também reivindicam dizer a verdade,defrontam-se reivindicações de verdade contraditórias.

A verdade,então,tem de ser uma unidade?Embora fiéis achem que estão dizendo a verdade,na realidade sempre depõem somente uma confissão de fé ou falam de um vínculo de fé.Quando então dizem que estariam em contradição um ao outro,no fundo não dizem senão que são crentes-judeus e cristãos..Dizer a verdade é para cada um deles uma confissão de fidelidade ao caminho especial no qual se sabem chamados. para sempre mais outro relacionamento para com o único D'us.

Usando para Jesus o título "Messias",a igreja frisou com isso a continuação da história e da Aliança de Israel.É que a principal tarefa do Messias era a RESTAURAÇÂO DO REINO DE ISRAEL(Atos 1:6).Como isso não se deu,a igreja teve de dar um novo conteúdo,não só ao papel do Messias,a igreja enfatizou então de um lado a continuação do relacionamento entre Yeshua e Israel,e de outro lado a contradisse.Um exemplo disso é a doutrina dos exercícios de ofícios que foram dados a Israel:"rei,sacerdote e profeta",a qual tem importância especialmente nas igrejas Reformadas.Esses títulos então,naturalmente,precisam ser esvaziados do seu conteúdo judaico e enchidos de significados completamente novos

Paulo mostrou melhor como a Aliança permanece entre Yeshua e israel pode ser descrita.diz: "Cristo chegou a ser servo da circuncisão(talvez uma expressão para Aliança) para a verdade (ou fidelidade) de D"us,para firmar as promessas dos pais,para que os povos glorifiquem D'us pela misericórdia"(Rm 15:8-9).

Um tal pronunciamento não é somente menos problemático,mas muito mais forte do que o antigo uso do título messiânico,e que nos foi transmitido nos evangelhos,quando se tratar de descrever a continuação da história de D'us com Israel,Cristo e a igreja.

É mais forte,porque segura o permanente triplo:

1- O Cristo mesmo estava no serviço do seu próprio povo como fiel judeu

2-Estava no serviço da fidelidade de D'us ,a qual chega a ser clara por ele;

3- Isso aconteceu para a confirmação da promessa de D'us



E,finalmente,acrescente-se a tudo isso que os não-judeus são incluídos nesse triplo permanente.Glorificam a D'us igualmente,pelo ato de que a misericórdia,que D'us presta a israel,foi feita acessível também a eles.

O assunto da novidade de Cristo é habitualmente tratado na forma de passado.O que tem mudado por ele?História não pode ser reduzida a questões somente do presente,a assuntos como se diz "existenciais".Mas enquanto a história se referir à vida e fé da igreja,é preciso começar com o hoje como uma parte dessa história.Fé viva começa no presente,olha o futuro,e então conta de novo o passado.

Pode ser que a novidade da igreja presente seja dificil a ser reconhecida,pois ela se entende como evidente.Mas é realmente tão natural que inúmeros não judeus em todos os cantos do mundo adoram o D'us do minúsculo povo judeu?Não é para admirar que tipicos valores judeus,os grandes assuntos de paz,direito,misericórdia e perdão,que a igreja aprendeu de Israel,estão sendo pelo menos reconhecidos por muitas centenas de milhões de não judeus em todos os países?Trata-se da novidade de quem,senão da pessoa de Cristo.



de Paul M.Van Buren

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